Notícias · 26 de junho de 2026

Expedicionários da Saúde realizam Diagnóstico Antropológico Sanitário Socioambiental Participativo ao longo do Rio Tiquié

Expedicionários da Saúde realizam Diagnóstico Antropológico Sanitário Socioambiental Participativo ao longo do Rio Tiquié

Ação pioneira marcou o início do projeto Cuidar para Preservar que tem apoio do Fundo Amazônia

Entre os dias 30 de maio a 13 de junho, a equipe de saúde dos Expedicionários da Saúde (EDS), – enfermeira e médica – em parceria com profissionais, antropólogos e uma médica, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), percorreram as sinuosas curvas do rio Tiquié e seus Igarapés, na região do Alto Rio Negro, no oeste do estado do Amazonas (AM).

Esta missão teve como objetivo principal a realização de um Diagnóstico Antropológico Sanitário e Socioambiental Participativo da região, para, por meio do diálogo compreender quais são as necessidades das comunidades dos povos indígenas e dos profissionais de saúde dos Polos-base de Taracuá, São José II, Caruru do Tiquié e Pari-Cachoeira.

Foram duas semanas de viagem dedicadas a ouvir lideranças locais, agentes indígenas de saúde e realizar diversas articulações institucionais entre a equipe da EDS, Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI), profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN) e povos locais para a implementação do Projeto Cuidar para Preservar.

O processo de escuta ativa é considerado essencial pela EDS para o planejamento de ações futuras. “O respeito à interculturalidade e aos saberes locais é o alicerce de nossa atuação: compreendemos que, para sermos efetivos, buscamos primeiro ouvir e aprender com as comunidades, garantindo que nossas ações de saúde sejam construídas em conjunto e com respeito à cada população indígena”, diz Paula Ruiz, supervisora de educação de saúde da EDS que fez parte da equipe que viajou pelo Tiquié.

Logística e consultas

Em um percurso percorrido por um território de grande complexidade logística, marcado por longas distâncias fluviais, com presença de cachoeiras, corredeiras e com trechos percorridos de barco e a pé, a cada parada – polos-base e comunidades – a equipe combinou três procedimentos: oficinas comunitárias para levantamento de dados socioantropológicos e sanitários; atendimentos clínicos e telemedicina quando necessária a realização de assistência à saúde; e reuniões com equipes de saúde locais para alinhamento de demandas e fluxos de atenção.

A equipe, formada por duas médicas, três enfermeiros aproveitou a viagem para realizar 73 atendimentos de indígenas em 18 comunidades pelas quais passaram.

As consultas foram acompanhadas por tradutores locais e por uma nova tecnologia, o telekit, de teleinterconsulta e teleconsulta, – pioneiro em território indígena e que permite chamadas e telepropedêudita (exames físicos que são acompanhados pelo médico à distância). Assim, é possível aproximar o paciente de especialistas que estão na área urbana, e que podem acompanhar tudo por um monitor e enquanto recebem no mesmo momento os dados sobre os exames realizados no paciente.

Em relação aos atendimentos ficou clara a elevada proporção de encaminhamentos cirúrgicos em todos os polos, indicando demanda por procedimentos eletivos cirúrgicos.

Também presente na missão, a antropóloga e assessora de relações institucionais da EDS, Roberta Cerri explica que “trabalhamos com antropólogos e médicos que já tem forte proximidade e conhecimento sobre os modos de vida dos povos locais, em especial dos povos Hupd’äh e Yuhupdeh, isso nos ajudou muito a entender como chegar com respeito e agilizou nosso trabalho aprofundando o vínculo intercultural.” Ela destaca também que a missão também deixou clara a necessidade de fortalecimento das práticas tradicionais de saúde e que isso deverá ser parte de todas as ações futuras.

Fundo Amazônia

A atuação de orientação, organização desta missão foi importante para a formação, compreensão do processo de trabalho e estabilidade operacional do grupo de saúde para a atividade que estava sendo realizada de forma imediata e para a compreensão das futuras expedições da EDS.

Financiado pelo Fundo Amazônia, este projeto tem como objetivo ampliar o acesso à atenção especializada em saúde, promover a qualificação profissional, fortalecer a infraestrutura de saúde e apoiar a conservação da Amazônia por meio do cuidado com seus povos.

Em 23 anos de existência os Expedicionários da Saúde já realizaram mais de 170 mil exames, 11 mil cirurgias e 80 mil atendimentos. Um trabalho em cirurgias especializadas, atendimento oftalmológico, com mais de 10 mil óculos já doados, e odontologia dentro das áreas indígenas, garantindo saúde de qualidade para os povos originários e cuidando de quem cuida e preserva a floresta. Doe e seja voluntário em nossas missões!

Expedicionários da Saúde

26 de junho de 2026

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