Projeto de quatro anos, com apoio do Fundo Amazônia, marca uma nova etapa de atuação da EDS no Alto Rio Negro
Os Expedicionários da Saúde (EDS) iniciam, em 31 de outubro, a 59ª Expedição Operando na Amazônia, em Iauaretê, no Alto Rio Negro (AM). A expedição é a primeira do projeto “Cuidar para Preservar”, iniciativa de quatro anos apoiada pelo Fundo Amazônia, e representa também uma volta às origens da organização: foi em Iauaretê, em abril de 2004, que a EDS realizou sua primeira expedição.
Mais de duas décadas depois, a organização retorna ao território onde sua história começou para inaugurar um novo ciclo de atuação contínua em prol da saúde dos povos originários e da preservação da floresta.


De 100 quilos a 20 toneladas: a logística que sustenta uma expedição
Muita coisa mudou desde 2004, mas os desafios para chegar a Iauaretê permanecem. A região, localizada às margens do rio Uaupés, exige uma complexa operação logística, que começa meses antes da equipe embarcar.
Se na primeira expedição, a EDS percorreu esse trajeto transportando cerca de 100 quilos de carga. Hoje levamos aproximadamente 20 toneladas de equipamentos, insumos, medicamentos e materiais necessários para montar toda a estrutura de atendimento.
O percurso envolve três trechos de hidrovia e duas travessias terrestres, exigindo o trabalho das equipes para movimentar cargas entre balsas, caminhões e embarcações. Logística que solucionamos graças a mais de duas décadas de experiência, unindo planejamento, conhecimento técnico com a sabedoria de quem conhece profundamente o território amazônico.
De lanternas na testa a um centro cirúrgico completo
Se a logística cresceu, a estrutura de atendimento também mudou radicalmente. Na primeira expedição, em 2004, as cirurgias eram realizadas com a iluminação das lanternas presas à testa dos quatro médicos que integravam a equipe. Hoje, a EDS mobiliza cerca de 80 profissionais e leva para regiões remotas da Amazônia uma estrutura hospitalar completa, incluindo seu próprio centro cirúrgico.
Essa evolução está materializada no Complexo Hospitalar Móvel, uma tecnologia social desenvolvida pela EDS para viabilizar procedimentos de alta complexidade em locais de difícil acesso.
A estrutura conta com ar-condicionado, salas independentes, Central de Material e Esterilização (CME) isolada, focos cirúrgicos e equipamentos de alta tecnologia, semelhantes aos utilizados em hospitais dos grandes centros urbanos. O modelo permite que procedimentos sejam realizados com segurança e qualidade mesmo a milhares de quilômetros dos grandes centros de saúde.

Fotos: Divulgação EDS
59ª Expedição leva quatro frentes de atendimento a Iauaretê
Entre 31 de outubro e 7 de novembro, cerca de 60 voluntários e profissionais da EDS, entre médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde e equipe de logística, estarão em Iauaretê para atender comunidades indígenas da região.
Localizada no Alto Rio Negro, na região conhecida como “Cabeça do Cachorro”, próxima à fronteira entre Brasil e Colômbia, Iauaretê reúne comunidades de diferentes povos indígenas e está situada na confluência dos rios Uaupés e Papuri.
A 59ª Expedição terá quatro principais frentes de atuação: oftalmologia, cirurgia geral, saúde da mulher e pediatria.
Na oftalmologia, estão previstas cirurgias de catarata e pterígio. Na cirurgia geral, a equipe dará atenção especial aos casos de hérnia, identificados em grande número na região. Já na saúde da mulher, uma das prioridades será a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer do colo do útero.
Além dos procedimentos cirúrgicos, a equipe realizará avaliações, exames, ações de prevenção, diagnóstico e acompanhamento em diferentes áreas da saúde, de acordo com as necessidades identificadas junto às comunidades.
Uma expedição que inaugura um projeto de quatro anos
A 59ª Expedição é também um dos pontos de partida do “Cuidar para Preservar”, projeto desenvolvido pela EDS a partir de sua experiência acumulada no Alto Rio Negro e realizado com apoio do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES.
Ao longo de quatro anos, a iniciativa prevê uma atuação integrada e contínua na região, reunindo expedições médicas e cirúrgicas, assistência odontológica, fortalecimento da infraestrutura dos polos-base de saúde, teleatendimento, capacitação de profissionais locais e atendimento a pessoas amputadas, com implantação de próteses por meio do programa Floresta em Movimento.
Mais do que ampliar o número de atendimentos, o projeto busca fortalecer a estrutura de saúde existente e contribuir para que as comunidades tenham acesso mais contínuo a serviços especializados.
A iniciativa é realizada em articulação com instituições e organizações que atuam no território, entre elas o Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN), a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), a Secretaria de Saúde de São Gabriel da Cachoeira, as comunidades indígenas locais e a 2ª Brigada de Selva de São Gabriel.
Encontro antes da viagem
Os Expedicionários da Saúde têm a tradição de realizar antes de cada Expedição um encontro para passar orientações e informações sobre o território e os povos que serão atendidos. Na 59ª isto não será diferente.
No sábado (17/10), receberemos na sede da EDS o antropólogo Danilo Paiva Ramos, Professor adjunto do Dep. Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e professor permanente do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da UFSCar (PPGAS-UFSCar), para uma palestra.
Compartilhar informações e conhecimento sobre as culturas dos povos amazônicos com todos os voluntários também é parte importante do nosso trabalho. Afinal, a compreensão dos hábitos locais é essencial para a realização do atendimento com cuidado que a EDS oferece a todos os indígenas.
Uma nova etapa para uma história que começou em Iauaretê
Em mais de duas décadas de atuação, os Expedicionários da Saúde já realizaram 58 expedições, mais de 11 mil cirurgias, 80 mil atendimentos e 170 mil exames.
Agora, ao retornar a Iauaretê, onde tudo começou, a EDS conecta passado e futuro: a mesma região que recebeu sua primeira expedição em 2004 será a primeira de quatro anos de atuação contínua no Alto Rio Negro.
Uma trajetória que começou com quatro médicos, lanternas na testa e cerca de 100 quilos de carga chega a uma nova etapa com dezenas de profissionais, toneladas de equipamentos e uma estrutura hospitalar completa mantendo o compromisso de levar saúde a quem vive naAmazônia.
SERVIÇO | 59ª EXPEDIÇÃO OPERANDO NA AMAZÔNIA
O quê: 59ª Expedição – Iauaretê
Quando: 31 de outubro a 7 de novembro
Onde: Iauaretê, Alto Rio Negro (AM)
Projeto: Cuidar para Preservar
Apoio: Fundo Amazônia
Contato de imprensa: Gabriela Di Bella – [email protected]
Site: eds.org.br
Instagram: @edsbrasil_