No Dia da Saúde Ocular relembramos histórias de vida que mudaram com   cirurgias realizadas pelos Expedicionários da Saúde

Os Expedicionários da Saúde (EDS) atuam com muitas especialidades, mas nosso trabalho sempre teve como um de seus pontos centrais as cirurgias e os exames oftalmológicos. Em especial a resolução de casos de catarata e doação de óculos. E neste dia 10 de julho, no Dia Mundial da Saúde Ocular, relembramos e compartilhamos algumas histórias que resumem o motivo da EDS existir.

Em 2022, durante a triagem realizada pelos profissionais de saúde da EDS na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, no norte do país, os voluntários de nossa equipe encontraram Daniele Macuxi. Mãe de dois filhos ela sofria com a cegueira causada pela catarata e vivia isolada na aldeia. Devido a esta doença ela tinha perdido boa parte de sua autonomia e seu convívio social. Seu caçula, de apenas 1 ano na época, ela só conhecia pelo toque e pela voz.

A enfermeira e voluntária da EDS Ana Paula Alves, lembra bem desta missão, “as expedições sempre são emocionantes, mas essa foi desde a triagem. Em uma das comunidades eu encontrei esta moça a Daniele, 30 e poucos anos, ela fazia tudo dentro de casa e cuidava dos filhos, mas um deles ela nunca tinha visto”, conta ela.

Quinze dias depois deste encontro Ana cuidava de Daniele no pré-operatório no centro cirúrgico da 47ª Expedição da EDS construído na comunidade Caracaranã. Foi então que Daniele voltou a enxergar. “Eu tenho um filho de um aninho, e fiquei muito feliz porque eu nunca tinha visto ele na vida, hoje estou vendo ele, graças a Deus”, disse Daniele ao pegar seu filho no colo pela primeira vez depois da cirurgia.

“Não tem dinheiro no mundo que pague por isso. Foi tudo muito emocionante para todos, principalmente pelo “reencontro” com o filho. Isso mudou a vida dela, agora ela pode trabalhar, cuidar da roça, e o mais importante, cuidar dos filhos”, destaca a voluntária Ana.

Em 2024, ela viveu mais um encontro muito emocionante, desta vez com Sara e Ketelen, ambas da etnia Baré, na época com 6 e 7 anos. Também encontradas durante a triagem, as vizinhas de rua na comunidade de Barcellos (AM) e viviam com sérias dificuldades devido à catarata congênita.

Operadas no mesmo dia durante a 55ª Expedição da EDS em Assunção do Içana, no Alto Rio Negro, elas voltaram a estudar e hoje vivem uma vida normal. Sara inclusive viajou, em 2025, com a EDS para os Emirados Árabes a convite do emir Mohammed bin Zayed Al Nahyan, monarca absoluto dos Emirados Árabes Unidos, que soube da história da Sara e a convidou para participar da cerimônia do Prêmio Zayed de Sustentabilidade que foi entregue à EDS.

Dr. Ricardo Affonso com Sara e sua mãe, Valcimara dos Santos Tavares, durante viagem para
recebimento do Prêmio Sayed, nos Emirados Árabes. Fotos: EDS/Divulgação

Autonomia na floresta

A catarata é uma doença reversível por meio de uma cirurgia de baixa complexidade, que dura poucos minutos. No entanto, para os povos indígenas que vivem longe dos centros urbanos o acesso a um atendimento oftalmológico pode ser extremamente difícil e demorado.

“Ter catarata na floresta é um problema, e aqui a população indígena tem tendência a ter catarata mais cedo, devido à alta incidência solar esta doença é muito comum entre eles e costuma aparecer precocemente” explica Ricardo Affonso Ferreira, fundador da EDS.

Cuidar da saúde ocular é devolver a autonomia, dignidade aos indígenas que dependem de uma boa visão para poder viver na floresta, em especial caçar, pescar e realizar todas as ações necessárias nas aldeias. Levar essa especialidade até as comunidades indígenas não é apenas um ato médico, é um ato de justiça e respeito à vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 75% dos casos de deficiência visual poderiam ser evitados com prevenção ou tratamento e, de acordo com o IBGE, mais de 6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual no Brasil, sendo que grande parte destas deficiências também poderiam ter sido evitadas.

A EDS já realizou 10 mil cirurgias, 70 mil atendimentos e 126 mil exames em pelo menos 50 expedições. Este trabalho rendeu o Prêmio Zayed de Sustentabilidade 2023, no qual concorremos junto a 4 mil instituições inscritas de 140 países.

Acompanhe nosso trabalho no nosso site eds.org.br e nas redes sociais (@edsbrasil_).

Doe e seja voluntário em nossas missões!