Ação pioneira marcou o início do projeto Cuidar para Preservar que tem apoio do Fundo Amazônia
Entre os dias 30 de maio a 13 de junho, a equipe de saúde dos Expedicionários da Saúde (EDS), – enfermeira e médica – em parceria com profissionais, antropólogos e uma médica, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), percorreram as sinuosas curvas do rio Tiquié e seus Igarapés, na região do Alto Rio Negro, no oeste do estado do Amazonas (AM).
Esta missão teve como objetivo principal a realização de um Diagnóstico Antropológico Sanitário e Socioambiental Participativo da região, para, por meio do diálogo compreender quais são as necessidades das comunidades dos povos indígenas e dos profissionais de saúde dos Polos-base de Taracuá, São José II, Caruru do Tiquié e Pari-Cachoeira.
Foram duas semanas de viagem dedicadas a ouvir lideranças locais, agentes indígenas de saúde e realizar diversas articulações institucionais entre a equipe da EDS, Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI), profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN) e povos locais para a implementação do Projeto Cuidar para Preservar.



O processo de escuta ativa é considerado essencial pela EDS para o planejamento de ações futuras. “O respeito à interculturalidade e aos saberes locais é o alicerce de nossa atuação: compreendemos que, para sermos efetivos, buscamos primeiro ouvir e aprender com as comunidades, garantindo que nossas ações de saúde sejam construídas em conjunto e com respeito à cada população indígena”, diz Paula Ruiz, supervisora de educação de saúde da EDS que fez parte da equipe que viajou pelo Tiquié.
Logística e consultas
Em um percurso percorrido por um território de grande complexidade logística, marcado por longas distâncias fluviais, com presença de cachoeiras, corredeiras e com trechos percorridos de barco e a pé, a cada parada – polos-base e comunidades – a equipe combinou três procedimentos: oficinas comunitárias para levantamento de dados socioantropológicos e sanitários; atendimentos clínicos e telemedicina quando necessária a realização de assistência à saúde; e reuniões com equipes de saúde locais para alinhamento de demandas e fluxos de atenção.

A equipe, formada por duas médicas, três enfermeiros aproveitou a viagem para realizar 73 atendimentos de indígenas em 18 comunidades pelas quais passaram.
As consultas foram acompanhadas por tradutores locais e por uma nova tecnologia, o telekit, de teleinterconsulta e teleconsulta, – pioneiro em território indígena e que permite chamadas e telepropedêudita (exames físicos que são acompanhados pelo médico à distância). Assim, é possível aproximar o paciente de especialistas que estão na área urbana, e que podem acompanhar tudo por um monitor e enquanto recebem no mesmo momento os dados sobre os exames realizados no paciente.
Em relação aos atendimentos ficou clara a elevada proporção de encaminhamentos cirúrgicos em todos os polos, indicando demanda por procedimentos eletivos cirúrgicos.


Fotos: EDS/ Divulgação
Também presente na missão, a antropóloga e assessora de relações institucionais da EDS, Roberta Cerri explica que “trabalhamos com antropólogos e médicos que já tem forte proximidade e conhecimento sobre os modos de vida dos povos locais, em especial dos povos Hupd’äh e Yuhupdeh, isso nos ajudou muito a entender como chegar com respeito e agilizou nosso trabalho aprofundando o vínculo intercultural.” Ela destaca também que a missão também deixou clara a necessidade de fortalecimento das práticas tradicionais de saúde e que isso deverá ser parte de todas as ações futuras.
Fundo Amazônia
A atuação de orientação, organização desta missão foi importante para a formação, compreensão do processo de trabalho e estabilidade operacional do grupo de saúde para a atividade que estava sendo realizada de forma imediata e para a compreensão das futuras expedições da EDS.
Financiado pelo Fundo Amazônia, este projeto tem como objetivo ampliar o acesso à atenção especializada em saúde, promover a qualificação profissional, fortalecer a infraestrutura de saúde e apoiar a conservação da Amazônia por meio do cuidado com seus povos.
Em 23 anos de existência os Expedicionários da Saúde já realizaram mais de 170 mil exames, 11 mil cirurgias e 80 mil atendimentos. Um trabalho em cirurgias especializadas, atendimento oftalmológico, com mais de 10 mil óculos já doados, e odontologia dentro das áreas indígenas, garantindo saúde de qualidade para os povos originários e cuidando de quem cuida e preserva a floresta. Doe e seja voluntário em nossas missões!
Expedicionários da Saúde
26 de junho de 2026