Missão que foi realizada com apoio do Ministério da Saúde realizou mais de 12 mil procedimentos entre cirurgias, exames e consultas na Ilha de Michiles (AM)
No período de 24 de julho a 1º de agosto equipe e voluntários dos Expedicionários da Saúde com apoio do Ministério da Saúde (MS), da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AGSUS), da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Distrito Sanitário Especial Indígena de Parintins (DSEI – PIN), empresas apoiadoras e doadores realizaram atendimento especializado de saúde na Ilha de Michiles, na Terra Indígena Andirá-Marau (TI) localizada na fronteira entre os estados do Amazonas e Pará.
A 58ª Expedição atingiu o objetivo de atender aos povos indígenas da região, em especial, os Sateré-Mawé e os Hixkaryanas com a realização de cerca de 12 mil procedimentos, entre cirurgias, exames, consultas e atendimentos oftalmológicos. Foram feitas 192 cirurgias, sendo em sua maioria, 131, de oftalmologia, 40 de cirurgia geral, 14 pediátricas e 7 ginecológicas. Do total de 2.754 consultas, 413 foram de oftalmologia, 270 de odontologia (2.047 procedimentos), 175 de ginecologia e 126 de pediatria.

Fotos: EDS/ Divulgação

“Por trás destes números sabemos que existem pessoas, e o que mais importa para a EDS é o impacto social que geramos na vida delas e na terra indígena. Cuidar dos guardiões da floresta é fundamental para preservar a diversidade ambiental, cultural e as verdadeiras riquezas que existem na Amazônia”, comenta o Dr. Ricardo Affonso Ferreira, presidente e fundador da EDS.
Mudança de vida
Entre os mais de 12 mil exames e procedimentos que a EDS realizou vivenciamos histórias como a de Zaqueu Michiles, que viajou por mais de um dia de sua casa na Aldeia Boa Fé até a Ilha de Michiles para realizar a cirurgia de catarata. O jovem de 25 anos sofreu um choque elétrico em dezembro de 2024. Sobreviveu. Mas meses depois começou a sentir dificuldades para enxergar. Era a catarata provocada pelo trauma que embaçava a visão nos dois olhos.
“Eu voltava da caçada e minha aldeia estava sem luz, subi no poste para tentar resolver o problema e levei o choque. Me levaram para Manaus e fiquei bem. Mas algum tempo depois parei de enxergar e não conseguia fazer mais nada direito, fiquei muito triste e eu não tinha ideia do que era. Agora estou feliz, vendo tudo de novo”, conta Zaqueu.
Zaqueu conta que ficou com medo da cirurgia, mas depois do primeiro olho operado tudo passou. “Fiquei com medo, é tudo muito diferente, estava muito embaçado meu olho, eu não conseguia ver nada, mas depois passou. A cirurgia foi tranquila, agora quero descansar um pouco na minha casa e voltar a caçar, ainda não dá, mas logo voltarei”, fala.




para proteger os olhos no pós-cirúrgico.
Foto: Divulgação/EDS
O caso de Zaqueu é uma grande coincidência que segue unindo os caminhos da EDS e de sua família, pois ele é irmão de Silas Michiles. Aos 7 anos, Silas teve parte da perna direita amputada devido a um acidente ofídico. Em 2009, durante a 35ª Expedição, quando tinha 9 anos, Silas foi encontrado pela equipe da EDS e desde então recebe tratamento que o permite andar normalmente. Tanto que Silas, para apoiar seu povo, trabalhou durante todos os dias da Expedição ajudando nas ações da EDS na TI Andirá-Marau. Veja mais sobre história dele aqui.

para a equipe de logística. Fotos: Divulgação/ EDS

Problema de anos resolvido em minutos
Um problema no olho da filha que não se resolvia há quatro anos foi o que levou Ildalene de Souza até a Ilha Michiles. “Sou de Boa Vista do Ramos, vim trazer minha filha para atendimento porque ela tinha um corpo estranho no olho desde os 5 anos, ela está com 9 e finalmente conseguiram tirar!”, conta.
A filha, Hadassa Vitória, levou como lembrança o pequenino pedaço de fio dental que a incomodava no olho há quatro anos. Apesar de já ter sido atendida em outros locais nunca tinham identificado qual era o problema. Foi o oftalmologista voluntário da EDS que resolveu o problema retirando o pequeno pedaço de fio de dentro do olho da menina.


Ildalene também trouxe o pai que sofria há cinco anos com catarata e tinha ficado cego dos dois olhos para realizar cirurgia. Ela mesma aproveitou a oportunidade para se consultar com as outras especialidades ofertadas pela EDS levando a filha ao pediatra e ao dentista.
Atendimento intercultural e saúde da mulher
O programa Mulheres da Floresta da EDS contou desta vez com a importante participação durante esta 58ª Expedição. Com 40 anos de experiência como parteira, Miriam de Alencar Pereira, mais conhecida como Dona Miriam, moradora da Ilha de Michiles compartilhou seu conhecimento enquanto acompanhou e traduziu (quando necessário) as consultas da ginecologia.
Também foi realizada uma roda de conversa com as mulheres para conversar abertamente sobre todo tipo de questões relacionas à saúde feminina. Durante duas horas as médicas voluntárias da EDS em parceria com Dona Miriam e Josiane Almeida, filha do tuxaua (líder da comunidade), ouviram e esclareceram questões das indígenas presentes na Expedição.


“Este trabalho é muito importante, nós temos exemplo dentro da nossa família mesmo, anos atrás (em 2016) quando os Expedicionários vieram minha mãe fez o exame foi detectado um problema, e hoje ela está viva graças ao procedimento que foi realizado. A minha tia não quis fazer, ela tinha o mesmo problema, infelizmente, nós a perdemos”, conta Josiane.
Parcerias e apoios
Nesta expedição, a EDS contou com cerca de 90 profissionais de diversas áreas, entre logística, administração, construção, alimentação, comunicação e saúde, mantendo o foco na participação de médicos e enfermeiros voluntários, que são o coração de todas as missões. Todo nosso trabalho também é resultado de importantes apoios de empresas socialmente responsáveis que nos apoiam de diversas formas garantindo o atendimento de saúde com qualidade para os povos indígenas.
Em 23 anos de existência, a EDS já realizou 58 expedições, mais de 11 mil cirurgias, 80 mil atendimentos e 170 mil exames. O trabalho é reconhecido por diversas instituições, tendo sido finalista do Prêmio Zayed de Sustentabilidade 2023, entre 4 mil organizações de 140 países. O trabalho dos Expedicionários da Saúde é garantido pelo apoio de doadores e empresas socialmente responsáveis.
Saiba mais: http://eds.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Encerramento_Expedicao58_resultados-1.pdf
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